(Não assinado)
A discussão de um dos mais sérios problemas ambientais causados pela indústria automotiva está ganhando força no País: o que fazer com centenas de pneus usados que não podem mais exercer suas funções originais? Para resolver a questão, em 1999 o Conama, Conselho Nacional do Meio Ambiente, publicou a resolução número 258 estipulando que em 2004 para cada pneu produzido as fabricantes deveriam reciclar outro.
De lá para cá, a situação mudou um pouco. De acordo com Vilien Soares, diretor geral da Anip, Associação Nacional das Indústrias de Pneumáticos, o volume de componentes usados foi superestimado, inviabilizando o cumprimento da resolução de forma integral: “Para reciclar o produto é preciso levar em conta não o volume produzido, como foi feito em 1999, e sim o do segmento de reposição. Além disso, ainda tem gente que guarda os pneus para si e, portanto, não os torna disponíveis para serem recolhidos pelas fábricas”.
De acordo com levantamentos feitos pela entidade, os pneus inservíveis e disponíveis representam 26,5% dos 23 milhões computados pelo setor de reposição. E é sobre esta base que a Anip trabalha no projeto dos Ecopontos, armazéns construídos pela associação em parceria com prefeituras para coleta e armazenagem de pneus usados. Periodicamente esse material é recolhido pela entidade que os submete a diversos tipos de reciclagem como trituração, laminação e esfarelamento.
Na trituração, os pneus agora transformados em pequenos pedaços de materiais com alto poder calorífico, passam a servir de combustível para fornos de co-processamento de cimento. Em formas de lâminas ganham diversas aplicações como a de suporte em estofados. Em farelo são misturados no asfalto para gerar elasticidade e resistência ao piso. “Diversas concessionárias de estradas do País estão testando asfalto de pneus. Os resultados parecem agradar, mas os custos dessa tecnologia ainda são muito altos".
De 2000 até hoje já foram construídos 74 Ecopontos no Brasil que recolheram cerca de 300 mil toneladas de pneus, 70 mil toneladas estimadas só para este ano. Para o ano que vem a expectativa é ampliar o projeto e estendê-lo para outras cidades. O número certo não está fechado e depende de parceria com as prefeituras.
Reformados – Antes de se tornarem inservíveis, os pneus usados podem ser reformados para que sua vida útil como equipamento automotivo seja prolongada por mais alguns anos. No Brasil a prática é permitida por lei desde que seja realizada com componentes que foram utilizados em território nacional e podem ser de três tipos: a recapagem, quando somente a banda de rodagem é substituída, a recauchutagem, que inclui a troca de um pedaço da lateral do pneu, e a remodelagem, quando todo componente ganha nova cobertura.
O problema levantado pela Anip é que diversas empresas, com o objetivo de faturar mercado, importam pneus usados e reformados. Prática proibida no País salvo uma exceção: pelo acordo do Mercosul, o Uruguai é o único país habilitado a vender pneus reformados no Brasil e para cá exportam cerca de 100 mil unidades/ano.
E é justamente nisso que reside grave entrave diplomático: a União Européia, que até a publicação da resolução 258 vendia cerca de 2 milhões de pneus usados/ano no Brasil, reivindica o direito de voltar a comercializar o componente desobedecendo a lei brasileira.
De acordo com a Anip, a solução é política e passa pela revisão do acordo com o Mercosul. Até lá, diversas liminares são concedidas na justiça permitindo que a cada ano cerca de 7 milhões de pneus usados de diversas nacionalidades continuem a ser comercializados por aqui, transferindo para o País a responsabilidade pelo produto quando ele passa a ser considerado inservível.
Resenha da notícia: De lá para cá, a situação mudou um pouco. De acordo com Vilien Soares, diretor geral da Anip, Associação Nacional das Indústrias de Pneumáticos, o volume de componentes usados foi superestimado, inviabilizando o cumprimento da resolução de forma integral.
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Incluído: 14/12/2004 4:32:00 PM
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