Borracha de pneus velhos é usada em
asfalto
Aplicação do produto nas pistas da
Rodovia Santos Dumont começou ontem
JOSÉ MARIA TOMAZELA
SOROCABA - A concessionária Rodovia das Colinas iniciou ontem a
aplicação de asfalto misturado com o pó obtido da borracha de pneus velhos
em um trecho da Rodovia Santos Dumont (SP-75), no município de Itu, região
de Sorocaba.
A nova tecnologia poderá ser uma solução para o problema ambiental
representado pelo descarte anual de cerca de 30 milhões de pneus usados no
Brasil. Grande parte desse material - pelo menos 8,5 milhões de pneus,
segundo cálculos de ambientalistas - é jogada no meio ambiente.
O chamado asfalto ecológico está sendo aplicado pelas empresas
Petrobrás e Sobrenco, em parceria com a concessionária. Segundo os
técnicos, o novo material apresenta vantagens em relação ao asfalto
convencional, pois tem maior flexibilidade e dura mais. Além disso,
possibilita maior aderência aos pneus dos veículos e reduz o nível de
ruídos.
Segundo a Assessoria de Comunicação da Colinas, o material é estudado
há mais de 40 anos nos Estados Unidos. À borracha triturada, são
misturados asfalto, diluentes e aditivos especiais. O material é aplicado
quente, sob condições controladas.
Os técnicos observaram redução de até três vezes no número de trincas
registrado no asfalto comum. Enquanto a pavimentação normal resiste às
pressões de uso sem ceder num período de três anos, o asfalto-borracha
leva até dez anos para apresentar defeitos.
O uso de restos de pneus na pavimentação também foi testado
recentemente, com bons resultados, pela concessionária SPVias, em um
trecho da Rodovia João Mellão (SP-255), na região de Avaré.
Decreto - A solução deve agradar aos ambientalistas. Desde que
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o decreto 4.592/03, em
fevereiro, que isenta de multa as importações de pneus remoldados do
Mercosul, eles temem que o Brasil vire destino para pneus velhos dos
países europeus.
Há mais de duas semanas, o deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ) solicitou a
anulação do decreto, alegando que se trata da "importação de lixo". Uma
comissão de quatro deputados petistas já conversou com o ministro das
Relações Exteriores, Celso Amorim, sobre o assunto. Segundo Amorim, o
Brasil apenas cumpriu determinação do Tribunal Arbitral do Mercosul.
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