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Sexta-feira, 21 de março de 2003

Borracha de pneus velhos é usada em asfalto
Aplicação do produto nas pistas da Rodovia Santos Dumont começou ontem
JOSÉ MARIA TOMAZELA

SOROCABA - A concessionária Rodovia das Colinas iniciou ontem a aplicação de asfalto misturado com o pó obtido da borracha de pneus velhos em um trecho da Rodovia Santos Dumont (SP-75), no município de Itu, região de Sorocaba.

A nova tecnologia poderá ser uma solução para o problema ambiental representado pelo descarte anual de cerca de 30 milhões de pneus usados no Brasil. Grande parte desse material - pelo menos 8,5 milhões de pneus, segundo cálculos de ambientalistas - é jogada no meio ambiente.

O chamado asfalto ecológico está sendo aplicado pelas empresas Petrobrás e Sobrenco, em parceria com a concessionária. Segundo os técnicos, o novo material apresenta vantagens em relação ao asfalto convencional, pois tem maior flexibilidade e dura mais. Além disso, possibilita maior aderência aos pneus dos veículos e reduz o nível de ruídos.

Segundo a Assessoria de Comunicação da Colinas, o material é estudado há mais de 40 anos nos Estados Unidos. À borracha triturada, são misturados asfalto, diluentes e aditivos especiais. O material é aplicado quente, sob condições controladas.

Os técnicos observaram redução de até três vezes no número de trincas registrado no asfalto comum. Enquanto a pavimentação normal resiste às pressões de uso sem ceder num período de três anos, o asfalto-borracha leva até dez anos para apresentar defeitos.

O uso de restos de pneus na pavimentação também foi testado recentemente, com bons resultados, pela concessionária SPVias, em um trecho da Rodovia João Mellão (SP-255), na região de Avaré.

Decreto - A solução deve agradar aos ambientalistas. Desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o decreto 4.592/03, em fevereiro, que isenta de multa as importações de pneus remoldados do Mercosul, eles temem que o Brasil vire destino para pneus velhos dos países europeus.

Há mais de duas semanas, o deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ) solicitou a anulação do decreto, alegando que se trata da "importação de lixo". Uma comissão de quatro deputados petistas já conversou com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, sobre o assunto. Segundo Amorim, o Brasil apenas cumpriu determinação do Tribunal Arbitral do Mercosul.





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