Médico aponta perigos na exposição diária ao lixo

Quarta-feira, 07 de Maio de 2003 11:53
Patrícia Hadlich

David Majella

Sem proteção, catador procura material reciclável no lixo.


Os catadores que trabalham no lixão de Campo Grande estão expostos a muitas doenças. Não é difícil encontrar pessoas atuando há mais de cinco anos em meio ao lixo, sem usar qualquer material que ajude a preservar a saúde, como luvas e máscaras.
O infectologista José Ivan Aguiar aponta que “o acúmulo de lixo é propício a proliferação de vetores que causam doenças”. As enfermidades são muitas. “Doenças de pele, leptospirose, febre tifóide, dengue, malária e febre amarela” são algumas citadas pelo médico. O lixo atrai animais peçonhentos, que podem causar ferimentos e transmitir doenças, lembra José Ivan. Também há o perigo de se cortar com algum objeto, que pode levar ao tétano.
“A doença é um conjunto de três fatores: ambiente, indivíduo e potencial de adoecer de cada pessoa. No caso dos catadores, dois já são desfavoráveis: o ambiente inadequado a que estão expostos e a qualidade de vida”, argumenta. O médico lembra que outro agravante é a ‘doença social’. “São pessoas que, devido a baixa renda, se alimentam mal, dormem mal(...)”. Com isso, “tem menos condições de resistir à doenças”.