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SOCIEDADE
Mendigos de Pequim participam da indústria chinesa da reciclagem
[ 05/10 - 21:23 ]


Os mendigos de Pequim demoram aproximadamente três minutos e meio para vasculhar cada lixeira em busca de comida, latas e garrafas que serão vendidas à reciclagem, indústria na qual o governo aposta e que sustenta dez milhões de chineses. Segundo a Federação de Cooperativas de Abastecimento e Comercialização, em 2003, cerca de 5 mil empresas chinesas reciclaram produtos recolhidos por 160 mil firmas e indivíduos registrados ou outros 500 mil sem registro, "pois reciclar não traz apenas benefícios econômicos, mas também sociais e ambientais".

Além disso, a Prefeitura negou-se a criar as "zonas proibidas para mendigos" propostas pela Conferência Consultiva, assessora do governo, para evitar, segundo disse, o aumento da insegurança e a instabilidade social. O responsável pela Comissão de Desenvolvimento e Reforma, Ma Kai, classificou a reciclagem como uma via de desenvolvimento sustentável. "A economia da reciclagem explorará os recursos e reutilizará os materiais descartáveis, minimizando a pressão causada pelo progresso econômico e usando energia de baixo custo e alta eficácia", disse Ma Kai.

Sentar-se na rua de pedestres Wang Fu Jing, no centro comercial de Pequim, além do descanso, pode ser um exemplo direto da integração dos mendigos na rede de reciclagem, num espetáculo talvez inesperado em um país que crescerá 10% em 2004. Os transeuntes que caminham relaxados pela habitualmente concorrida rua, parando ocasionalmente diante das vitrines ou para beber um gole da lata ou da garrafa que transportam, são observados por "mendigos-recicladores", que chegam até mesmo a segui-los, esperando que eles joguem o recipiente na lixeira.

Também há aqueles que são mais atrevidos e perguntam ao dono da garrafa ou da lata quanto tempo ele demorará para consumir o conteúdo. Caso não consigam acabar rapidamente, podem ser até seguidos a distância, numa tentativa de bater a concorrência numa "corrida recicladora", levando em média três minutos para um recipiente vazio ser recolhido. Na capital da China tudo é reciclado, começando pelos restos de comida dos restaurantes, que na hora do fechamento recebem cidadãos de bicicletas com vasilhas, onde colocam os restos pelos quais pagam uma quantia mínima, e que irão revender depois como alimento para animais.

Entre 1995 e 2000, a China também reciclou e reutilizou 160 milhões de toneladas de papel, o que representou uma economia de 120 milhões de metros cúbicos de madeira e centenas de milhões de metros cúbicos de água, destacou a Federação de Cooperativas. Segundo Xu Binshi, da Academia de Ciências da China, a indústria da reciclagem gerará novas indústrias, além de oportunidades de emprego e sobrevivência em um país no qual a metade da população viverá em áreas urbanas para 2010.

O centro de informação oficial sobre a China pela internet destacou que no início da década de 1980 havia pouca mendicância em Pequim, mas imigração maciça vinda de outras cidades ou zonas rurais levou a um aumento significativo. O êxodo migratório interno na China não tem precedentes, segundo o sociólogo Ruan Danching, e, para seu controle, as autoridades devem enfrentar muitas dificuldades.

Em 2003, a Prefeitura de Pequim adotou um novo regulamento sobre ajuda aos mendigos, caracterizado pelo realojamento voluntário em centros de assistência, mas no fim do último mês de junho a Conferência Consultiva propôs a criação de zonas onde fosse proibido o acesso dos mendigos. A sugestão do principal órgão de assessoria governamental que deseja reduzir a criminalidade (34 detidos em seis meses) levantou a polêmica, e os setores contrários à medida pediram decisões para cuidar dos desfavorecidos e proteger seus direitos. (EFE)

Paloma Caballero (EFE)

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