Tetra Pak planeja ampliar reciclagem com nova tecnologia

 

MONTE MOR - A Tetra Pak está desenvolvendo uma nova arma para aumentar a reciclagem de caixinhas longa vida. A companhia vêm pesquisando há seis anos uma tecnologia que vai separar os componentes da embalagem - composta por papel, plástico e alumínio - e aumentar o valor do material para catadores e com isso estimulando sua reciclagem.   


A inovação deverá ser embarcada em uma fábrica em Piracicaba (SP), ao lado da unidade de Klabin, que atualmente recicla o papel das embalagens longa vida. O investimento deverá ser de aproximadamente R$ 13 milhões. Porém, o mais provável é que a Tetra Pak forneça apenas a tecnologia. A recicladora TSL deve ser responsável pela maior parte do investimento e a Klabin também deve ter participação. Atualmente, a TSL faz a reciclagem do oléo contaminante de terras enviadas pela Petrobras.

Hoje, a caixinha da Tetra Pak é composta por 75% de papel, 20% de plástico e 5% de alumínio. O papel é reciclado pela Klabin e outras papeleiras. Já o plástico e o alumínio formam um composto que são transformados em placas, utilizadas para fabricação de telhas e móveis escolares, dentre outras aplicações.

A nova tecnologia vai conseguir, através de um processo térmico, separar o plástico do alumínio, produto de alto valor agregado. Com isso, o metal poderá ser transformado em lingotes e vendido separadamente. "A inovação deve aumentar o valor pago aos catadores (de embalagens longa vida usadas) em 33%", estima Fernando von Zuben, diretor de meio ambiente da Tetra Pak. Hoje, as recicladoras pagam entre R$ 0,18 e R$ 0,20 o quilo das embalagens longa vida usadas.

O sistema vem sendo desenvolvido há seis anos pela fabricante de embalagens em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e depois de instalado no Brasil deve ser exportado para outras unidades da Tetra Pak no mundo. "Só falta definir quem vai investir 'quanto' e com 'o que' cada um vai ficar", diz Hélio Biágio, gerente da unidade de embalagens da fábrica de Piracicaba da Klabin. Segundo o executivo, a nova fábrica deve ter participação da papeleira, da Tetra Pak e da TSL. O empreendimento deve entrar em operação 2004.

Hoje, as caixinhas longa vida tem um dos menores índices de reciclagem de embalagens do país. No ano passado, apenas 15% foram recuperadas, um aumento em relação a 2001, quando 13% foram recicladas. As garrafas PET, conhecidas por seu baixo reaproveitamento, tem índice de reciclagem acima dos 25%. Com a nova tecnologia, Zuben espera que as embalagens da Tetra Pak atinjam essa meta até 2005.