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7.2. Taxas


Como todo tributo, a taxa, por exigência constitucional, somente pode ser estabelecida por intermédio de lei.

Um elemento que normalmente causa controvérsia ao se estabelecer a cobrança de uma taxa para suporte de qualquer serviço é a base de cálculo, isto é, a grandeza utilizada para chegar-se ao valor do tributo.

A doutrina tem recomendado a adoção de elementos físicos do imóvel, como a testada, a área, etc., como meio de se determinar a base de cálculo. O Judiciário, no entanto, tem frequentemente decidido que esses indicadores não podem servir como critério porque são utilizados para se obter o valor venal do imóvel, base de cálculo do imposto predial e territorial urbano - IPTU, o que é vedado constitucionalmente (art. 145, § 2°). A alternativa que se propõe é a utilização da unidade fiscal ou valor de referência utilizado pelo Município e, sobre ele, aplicar-se a alíquota fixada em lei.

A lei municipal que estabelecer a cobrança da taxa deve ser bastante clara quanto ao sistema de cálculo e quanto ao pagamento, dispondo se este será feito de uma só vez ou em parcelas e, neste caso, se serão mensais, trimestrais, etc.

Outro aspecto importante é o fato gerador, ou seja, a condição necessária e suficiente para que o tributo possa ser cobrado.

Normalmente, as Prefeituras cobram um percentual referente a limpeza pública embutido na taxa de serviços diversos. Isto não impede que se cobre uma taxa para a coleta de lixo, já que se trata de atividade diferente daquela.

Detalhes como este devem ser observados com atenção pois representam em muitos casos a saída que a Prefeitura tem para enfrentar os custos elevados da limpeza urbana.

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Tarifa

A tarifa não é enquadrada como tributo, mas sim como uma receita auferida em função do preço estabelecido para algum serviço prestado.

Um aspecto todavia aparece como forte argumento contra a instituição da tarifa na limpeza urbana: a natureza voluntária ou contratual que o preço confere ao serviço.

Em outras palavras: o usuário é quem decide se vai querer pagar ou não pelo serviço prestado

É o que ocorre por exemplo no caso da energia elétrica. Se você não quer usufruir do serviço, a concessionária interrompe o fornecimento.

Mas como deixar de atender a algum domicílio nos serviços de limpeza urbana?

Além de ser operacionalmente muito difícil, não realizar o serviço de quem não quer pagar irá trazer conseqüências prejudiciais ao vizinho que é contribuinte (mau cheiro, proliferação de vetores de doenças, etc.).

Que atividades seriam então passíveis de cobrança de tarifas dentro da limpeza urbana?

As atividades de interesse específico por parte de pessoas físicas e jurídicas, efetuadas em imóveis particulares ou pertencentes à União ou aos Estados, tais como:

Isto pode representar uma boa maneira da limpeza urbana utilizar ao máximo o seu potencial de equipamento e mão-de-obra para conseguir algum recurso financeiro adicional.

Um cuidado especial deve ser tomado: programar corretamente estas atividades complementares para que não interfiram no objetivo principal para o qual o serviço de limpeza urbana é prestado.

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Conclusão

Como instrumentos de remuneração, a taxa e a tarifa nem sempre são capazes por si só de dotarem o órgão de limpeza urbana dos recursos necessários a prestação de um bom padrão de serviços.

Apenas o orçamento poderá assegurar a alocação de recursos específicos para este fim.

Para tanto torna-se necessário um levantamento de todas as despesas e a previsão das receitas decorrentes dos serviços prestados, através do emprego de métodos e critérios adequados.

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