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2.2 Características do lixo
Para começar a pensar em um serviço de limpeza urbana é
preciso identificar as características dos resíduos gerados,
pois a "cara" do lixo varia conforme a cidade, em função
de diversos fatores, como por exemplo, a atividade dominante (industrial,
comercial, turística, etc.), os hábitos e costumes da população
(principalmente quanto à alimentação) e o clima.

Isso só não basta. As cidades se transformam sem parar.
Dentro de uma mesma comunidades, as características vão
se modificando com o decorrer dos anos, tornando necessários levantamentos
periódicos visando a atualização de dados.
Ha três áreas principais a investigar:
Características
físicas
composição
gravimétrica: traduz o percentual de cada componente em relação
ao poso total do lixo;
peso específico:
é o peso dos resíduos em função do volume
por eles ocupados, expresso em kg;/m3. Sua determinação
é fundamental para o dimensionamento de equipamentos e instalações;
teor de umidade: esta característica
tem influência decisiva, principalmente nos processos de tratamento
e destinação do lixo. Varia muito em função
das estações do ano e da incidência de chuvas;
compressividade: também
conhecida como grau de compactação, indica a redução
de volume que uma massa de lixo pode sofrer, quando submetida a uma pressão
determinada. A compressividade do lixo situa-se entre 1:3 e 1:4 para uma
pressão equivalente a 4 kg/cm2 . Tais valores são utilizados
para dimensionamento de equipamentos compactadores;
geração per
capita: relaciona quantidade do lixo gerado diariamente e o número
de habitantes de determinada região. Muitos técnicos consideram
de 0,5 a 0,8 kg/habitante/dia como a faixa de variação média
para o Brasil.
Características
químicas
poder calorífico:
indica a capacidade potencial de um material desprender determinada quantidade
de calor quando submetido à queima;
potencial de hidrogênio
(pH): indica o teor de acidez ou alcalinidade do material;
teores de cinzas, matéria
orgânica, carbono, nitrogênio, potássio, cálcio,
fósforo, resíduo mineral total, resíduo mineral solúvel
e gorduras: importante conhecer, principalmente quando se estudam processos
de tratamento aplicáveis ao lixo;
relação C/N
ou relação carbono/nitrogênio: indica o grau de decomposição
da matéria orgânica do lixo nos processos de tratamento/disposição
final.
Características
biológicas
O estudo da população microbiana e dos agentes patogênicos
presentes no lixo urbano, ao lado das suas características químicas,
permite que sejam discriminados os métodos de tratamento e disposição
mais adequados. Nessa área são necessários procedimentos
de pesquisa.
Procedimentos alternativos para análise das caracteristicas
físicas do lixo
A maioria das cidades brasileiras não tem condições
de montar laboratórios maravilhosos onde sejam feitas todas as
análises como manda o figurino. Por isso serão alinhados
em seguida alguns procedimentos práticos que podem auxiliar na
determinação do peso específico, composição
gravimétrica e teor de umidade do lixo urbano:
1) Devem ser selecionadas algumas amostras de lixo "solto",
provenientes de diferentes áreas de coleta, a fim de conseguir
resultados que se aproximem o máximo possível da realidade.
2) As amostras serão misturadas, com auxílio de pás
e enxadas, num mesmo "lote" , rasgando-se os sacos plásticos,
caixas de papelão, caixotes, etc. e materiais assemelhados que
porventura existam.
3) A massa de resíduos será dividida em quatro partes. Um
dos quartos resultantes será escolhido para nova divisão
em quatro partes e assim por diante. O processo se chama quarteamento.
4) Os quarteamentos cessarão quando o volume de cada uma das partes
for de aproximadamente 1 m3.

5) Qualquer uma das quatro partes do
material será separada para análise.
6) Em seguida deverão ser escolhidos cinco recipientes de capacidade
e pesos próprios conhecidos (tambores vazio de 200 litros usados
para armazenar óleo são ideais).
7) Os recipientes serão preenchidos até a borda com o lixo
do "quarto" selecionado.
O recipiente cheio de lixo passa a ser o elemento básico de estudo.
Através dele é possível obter:
O peso especifico médio
peso líquido de lixo (em kg)
peso específico =
peso líquido de lixo (em Kg) / Volume total dos latões (em
m3)
volume total dos latões (em m3)
Peso Iíquido de lixo
= peso total dos latões cheios - peso próprio dos latões
vazios
A composição gravimétrica
Para chegar a esta proporção será preciso escolher
dois dos tambores contendo lixo e proceder à separação
manual dos seguintes componentes:
 papel
e papelão;
plástico;
madeira;
couro e borracha;
pano e estopa;
folha, mato e galhada;
matéria orgânica
(restos de comida);
metal ferroso;
metal não-ferroso
(alumínio, cobre, etc.);
vidro;
louça, cerâmica
e pedra;
agregado fino, isto é,
todo o material peneirado em malha de uma polegada (1") e de difícil
catação, composto de pós, terra, grãos de
arroz, etc.
Em seguida, deve ser determinado o peso de cada um dos materiais separados.
Finalmente, através de regra de três simples, será
obtido o percentual em peso de cada componente ou seja, a composição
gravimétrica do lixo.
O teor de umidade
Para defini-lo, é preciso começar separando uma amostra
de até 2 kg de lixo de um dos tambores. Essa amostra será
levada a uma estufa, onde deverá permanecer até alcançar
peso constante (24 horas a 105°C ou 48 horas a 75°C).
O material resultante deverá ser pesado. Uma regra de três
simples determinará o teor de umidade do lixo.
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