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Assunto: A Farra dos Sacos Plsticos
País: Brasil
Fonte: Ecol News
Data: 6/2004
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
Curiosidade (texto):
Andr Trigueiro *

O Brasil definitivamente o paraso dos sacos plsticos. Todos os supermercados, farmcias e boa parte do comrcio varejista embalam em saquinhos tudo o que passa pela caixa registradora. No importa o tamanho
do produto que se tenha mo, aguarde a sua vez porque ele ser embalado num saquinho plstico. O pior que isso j foi incorporado na nossa rotina como algo normal, como se o destino de cada produto comprado fosse mesmo um saco plstico. Nossa dependncia tamanha, que quando ele no est disponvel, costumamos reagir com reclamaes indignadas.

Quem recusa a embalagem de plstico considerado, no mnimo, extico.

Outro dia fui comprar lminas de barbear numa farmcia e me deparei com uma situao curiosa. A caixinha com as lminas cabia perfeitamente na minha pochete. Meu plano era levar para casa assim mesmo. Mas num gesto automtico, a funcionria registrou a compra e enfiou rapidamente a msera caixinha num saco onde caberiam seguramente outras dez. Pelas razes que explicarei abaixo, recusei gentilmente a embalagem.

A plasticomania vem tomando conta do planeta desde que o ingls Alexander Parkes inventou o primeiro plstico em 1862. O novo material sinttico reduziu os custos dos comerciantes e incrementou a sanha consumista da
civilizao moderna. Mas os estragos causados pelo derrame indiscriminado de plsticos na natureza tornou o consumidor um colaborador passivo de um desastre ambiental de grandes propores.

Feitos de resina sinttica originadas do petrleo, esses sacos no so biodegradveis e levam sculos para se decompor na natureza. Usando a linguagem dos cientistas, esses saquinhos so feitos de cadeias moleculares inquebrveis, e impossvel definir com preciso quanto tempo levam para desaparecer no meio natural.

No caso especfico das sacolas de supermercado, por exemplo, a matria-prima o plstico filme, produzido a partir de uma resina chamada polietileno de baixa densidade (PEBD). No Brasil so produzidas 210 mil toneladas anuais de plstico filme, que j representa 9,7% de todo o lixo do pas. Abandonados em vazadouros, esses sacos plsticos impedem a passagem da gua retardando a decomposio dos materiais biodegradveis - e dificultam a compactao dos detritos.

Essa realidade que tanto preocupa os ambientalistas no Brasil, j justificou mudanas importantes na legislao - e na cultura - de vrios pases europeus. Na Alemanha, por exemplo, a plasticomania deu lugar sacolamania. Quem no anda com sua prpria sacola a tiracolo para levar as compras obrigado a pagar uma taxa extra pelo uso de sacos plsticos. O preo salgado: o equivalente a sessenta centavos a unidade. A guerra contra os sacos plsticos ganhou fora em 1991, quando foi aprovada uma lei que obriga os produtores e distribuidores de embalagens a aceitar de volta e a reciclar seus produtos aps o uso. E o que fizeram os empresrios?

Repassaram imediatamente os custos para o consumidor. Alm de anti-ecolgico, ficou bem mais caro usar sacos plsticos na Alemanha. Na Irlanda, desde 1997 paga-se um imposto de nove centavos de libra irlandesa por cada saco plstico. A criao da taxa fez multiplicar o nmero de irlandeses indo s compras com suas prprias sacolas de pano, de palha,e mochilas. Em toda a Gr-Bretanha, a rede de supermercados CO-OP mobilizou a ateno dos consumidores com uma campanha original e ecolgica: todas as lojas da rede tero seus produtos embalados em sacos plsticos 100% biodegradveis.

At dezembro deste ano, pelo menos 2/3 de todos os saquinhos usados na rede sero feitos de um material que, segundo testes em laboratrio, se decompe dezoito meses depois de descartados. Com um detalhe interessante: se por acaso no houver contato com a gua, o plstico se dissolve assim mesmo, porque serve de alimento para microorganismos encontrados na natureza. No h desculpas para ns brasileiros no es