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Assunto: Carroas duelam com os carres
País: Brasil
Fonte: www.reciclaveis.com.br
Data: 9/2005
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
Curiosidade (texto):
Enfrentar o trnsito da cidade, especialmente na hora do rush, irritante para qualquer motorista, de carrinho ou de carro. Imagine para um cavalo, um burrinho ou um jumento engatado a uma carroa, carregando quilos de material e ouvindo buzina por todos os lados. Imagine agora a falta desses animais, e um homem executando a funo deles. assim todos os dias nas ruas de Natal. Um problema que vai alm da inconvenincia de trfego, tornando-se questo social e econmica.

Os carroceiros so os que trabalham com veculos de trao animal. Carrinheiros so aqueles que puxam sua prpria carroa. Para os dois tipos de trabalhadores, no h lei que regulamente as atividades. Na maioria dos casos essas pessoas no tm outro tipo de sustento familiar, e com o que ganham pagam alimentao e aluguel. Poucos estudam ou sabem ler e escrever.

Os motoristas da Avenida Presidente Quaresma, no Alecrim, demonstraram impacincia e irritao nos minutos que esta reportagem levou para entrevistar Joo Batista de Lima e Zilma Anselmo da Fonseca, carroceiros do bairro. Por estarem parados no canto da avenida, provocaram certo congestionamento, e receberam buzinadas e palavras de reprovao. '' assim mesmo, j estamos acostumados. A gente no tem vez na rua, e vai fazendo do jeito que pode'', diz Joo de Lima. Zilma Fonseca, mulher dele, completa: ''Ningum respeita, ento a gente no pode fazer nada. Se no ajudam, a gente no tem o que fazer''. O casal sustenta trs filhos, e ganha em mdia R$ 6 por dia com a venda de material reciclvel ou de entulho. ''A ferragem e o papelo valem R$ 0,10 o quilo'', informam. Nenhum dos dois sabe ler ou escrever.

Para vender jarros de cermica, Ricardo Silva dos Santos passa sete horas por dia perambulando com a carroa de burro nos bairros da cidade. Morador de Felipe Camaro, foi encontrado na Vila de Ponta Negra s 11h30, e ainda no havia conseguido nenhuma venda. Sobre o trnsito, ele contou que ''buzinada demais no p-do-ouvido'', e que at baterem na carroa j bateram. '' assim mesmo, fazer o qu?'', questiona o jovem de 20 anos, que estudou at a 6srie do ensino fundamental. ''E s no trabalho mais porque tem que descansar o animal''. Ricardo dos Santos sustenta os pais e um irmo e ganha a nica renda da famlia.

Para ter um controle dessa atividade no municpio, a Urbana iniciou um cadastro de carroceiros e carrinheiros em toda cidade, e registrou mais de 400 deles. Em atualizao desse registro, a administrao calcula entre 800 e 900. ''Imaginvamos que eram uns 30 no bairro do Bom Pastor. Quando cadastramos, eram mais de 80. Eles superaram em mais de 100% nossas expectativas, e fizemos a estimativa em cima disso'', diz Josenildo Barbosa de Lira, presidente da Urbana. Para ele, a existncia dessa atividade no pode ser cerceada e, portanto, tem que ser regularizada. ''No tem onde colocar essas pessoas. Essa uma realidade da qual no podemos fugir. H que se reconhecer a existncia deles e regulariz-los'', opina.

A inteno da companhia de limpeza orientar os donos de carroas, estipular locais de despejo do material recolhido. ''Pretendemos encaminhar um projeto para a Cmara (Municipal do Natal). Eles tero o lugar de acesso, de trnsito de despejo de materiais, num projeto que chamamos de Coleta Seletiva Alternativa''. Josenildo de Lira completa afirmando que h que se ter um comprometimento social com essa gente, encar-los de frente e aceitar a atividade como ''parte da sociedade''.

Alm do cadastro da Urbana, existem diversas associaes de bairro que renem e cadastram carroceiros, como em Nova Descoberta, Ponta Negra, Jardim Progresso, Felipe Camaro, Planalto, Me Luiza, Cidade Satlite, Passo da Ptria e Cidade Nova. O difcil conseguir contato com elas, j que os presidentes so, em sua maioria, tambm carroceiros.