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Curiosidades


Assunto: Europa no pode mais jogar pneus em aterros e quer export-los para o Brasil
País: Brasil
Fonte: http://www.radiobras.gov.br/materia.phtml?materia=268965&editoria=
Data: 4/2007
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
Curiosidade (texto):
O lobby pela regulamentao da importao de resduos slidos vem tambm de fora do pas. A Unio Europia tem interesse em se desfazer de seus pneus usados, j que uma lei probe que eles sejam depositados em aterros sanitrios. E est usando a Organizao Mundial do Comrcio (OMC) para pressionar o Brasil, que por sua vez tem acionado freqentemente a entidade para combater os subsdios agrcolas dos pases europeus.

No caso do Brasil, apesar de a importao de bens usados ser proibida por resolues, 11 milhes de pneus usados entram no pas todo ano, com base em liminares judiciais - parte deles vm do Uruguai, em razo de deciso do Tribunal Arbitral do Mercosul. A Unio Europia, que descarta 80 milhes de carcaas de pneu por ano, briga na Organizao Mundial do Comrcio (OMC) pelo direito de enviar suas unidades usadas para o Brasil, como faz o Uruguai.

O Brasil um farto mercado potencial para os pneus europeus. O pas possui a maior populao e a maior frota de veculos entre os pases em desenvolvimento que probem a entrada de pneus usados e reformados, informa o Ministrio do Meio Ambiente. Segundo o rgo, como o pneu no biodegradvel, a importao aumenta o volume de resduos e o passivo ambiental no pas. Alm disso, viram lixo logo porque s podem ser reformados uma vez.

O MMA argumenta que a regulamentao da importao favoreceria apenas a Unio Europia, que deposita 80 milhes de pneus por ano em aterros. "Por isso eles querem que o Brasil autorize a entrada aqui", afirma o secretrio executivo Cludio Langone. Na opinio da representante do Instituto Scio Ambiental (ISA), Adriana Ramos, a importao de pneus lembra "a pior forma de colonialismo", em que os pases europeus obrigavam suas colnias a comprarem produtos que no lhes servia.

Para o deputado Ivo Jos (PT-MG), autor do projeto de regulamentao, a idia no tornar o Brasil uma "lixeira". Ele argumenta que alguns resduos de processos industriais so matrias-primas estratgicas no Brasil, pois o pneu pode ser utilizado para fazer asfalto e de outras maneiras, desde que no plano de gesto isso seja adequado. Outra razo alegada o barateamento do produto, permitindo o consumo por pessoas de baixa renda.

Mas para o ISA, o problema vai alm da destinao final. Com o acmulo de pneus, lembra o instituto, eles acabam virando criadouro de mosquitos transmissores de dengue e febre amarela. Segundo estudo realizado em 2003 pelo Ministrio da Sade, os pneus eram o principal foco do mosquito Aedes Aegypti em 284 dos 1.240 municpios pesquisados. Em 491, eram o segundo foco e em 465, o terceiro.

" importante que a sociedade procure saber o que est acontecendo e quais so os prejuzos sade e ao meio ambiente para que possam reivindicar que as empresas tenham uma atitude correta de recolhimento desses pneus", avalia Adriana Ramos, do ISA. Segundo ela, necessrio investir no processo de recolhimento e em tecnologias para melhorar o aproveitamento dos resduos.

O presidente da Associao Brasileira da Indstria de Pneus Remoldados e da empresa BS Colway, Francisco Simeo, acredita que a regulamentao seria importante para obrigar os empresrios a fazer o recolhimento. Segundo ele, muitos deixam de faz-lo por no haver uma legislao especfica.