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Assunto: Borracha na mureta
País: Brasil
Fonte: http://www.revistapesquisa.fapesp.br
Data: 8/2007
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
Curiosidade (texto):
Barreiras produzidas com pedaos de pneus reduzem impactos nos acidentes de trnsito

Reconhecidos como causadores de um problema ambiental, os pneus velhos, que costumam ser jogados em rios ou descartados irregularmente em lixes a cu aberto, agora tm uma destinao nobre: a construo de barreiras rodovirias. Essas muretas, normalmente erguidas no centro ou nas laterais das pistas, continuaro a ser feitas de concreto, mas parte das pequenas pedras, chamadas de brita, usadas na sua composio, ser substituda por borracha triturada proveniente de pneus que no tm mais utilidade. Dois trechos dessas barreiras encontram-se em fase de testes, um no quilmetro 27,3 da rodovia Raposo Tavares, sentido interior, que liga a capital paulista regio oeste do Estado de So Paulo, e outro na marginal do rio Tiet, prximo da ponte Jlio de Mesquita Neto, na cidade de So Paulo.

"A principal vantagem da nova barreira rodoviria a capacidade de absorver o impacto dos veculos desgovernados", diz o engenheiro Paulo Bina, vice-presidente do Instituto Via Viva e diretor da Monobeton Solues Tecnolgicas, organizaes responsveis por esse desenvolvimento. A empresa especializada em novas tecnologias no ramo da construo civil e a Via Viva uma entidade sem fins lucrativos instalada em So Paulo, criada a partir da parceria entre a Monobeton e a Associao para Valorizao e Promoo de Excepcionais (Avape), com sede na cidade de Santo Andr, na Regio Metropolitana de So Paulo.

Testes estticos - "Com a adio de borracha em sua estrutura, a barreira deixa de ser um bloco rgido para ser uma estrutura semideformvel. O grau de deformabilidade ir variar de acordo com a quantidade e o tamanho dos pedaos de borracha usados na preparao do concreto", explica Bina. Segundo o engenheiro, o porcentual exato de absoro de energia das novas barreiras ainda no conhecido porque no foram feitos testes dinmicos (tambm chamados de crash tests, em que um carro, por controle remoto, levado a bater numa estrutura rgida), que esto previstos para os prximos meses. At o momento, foram realizados testes estticos que verificam propriedades mecnicas como resistncia compresso, trao e deformao. Para realizar esses testes, a empresa contou com a colaborao da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Sob a coordenao da professora Ana Elisabete Paganelli, os pesquisadores usaram prensas hidrulicas em que um pisto exerce uma fora varivel sobre o concreto. Os ensaios mostraram que as barreiras absorvem e dissipam a energia do impacto, reduzindo a velocidade do veculo aps a coliso. "Ao reduzir a desacelerao dos carros, diminui tambm a probabilidade de traumas em seus ocupantes", afirma Paulo Bina.Os resultados dos testes realizados na Unicamp tambm foram analisados pelo engenheiro Fernando Rebouas Stucchi, da Escola Politcnica da Universidade de So Paulo (USP).

O relatrio tcnico elaborado por ele est sendo examinado pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) de So Paulo, rgo que fornece os parmetros para a construo de barreiras rodovirias no estado. "O DER, um dos nossos parceiros no projeto, prev que nos prximos trs anos haver uma demanda de 900 quilmetros do prprio DER, alm de 2.300 quilmetros de barreiras nas rodovias paulistas operadas por concessionrias", conta Bina. Caso elas sejam construdas com o concreto com borracha, sero utilizados 32 milhes de pneus usados, tambm chamados de inservveis porque no servem mais para recauchutagem.

Destino legal - Em cinco anos, a Associao Nacional da Indstria de Pneumticos (Anip) recolheu 70 milhes de pneus usados, atendendo resoluo 258 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), de 26 de agosto de 1999, que indica, para 2005, o recolhimento de cinco pneus para cada quatro fab