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Assunto: O lado obscuro do lixo eletrnico
País: Brasil
Fonte: http://www.tierramerica.net/2005/0402/pgrandesplumas.shtml
Data: 5/2010
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
Curiosidade (texto):
Por Mark Sommer* O lixo da revoluo informtica reciclado em condies perigosas para a sade humana e o meio ambiente. BERKELEY.- Como no caso da promessa do uso pacfico do tomo, a esperana inicial era de que a revoluo dos computadores acabasse com uma das pragas da primeira revoluo industrial ao eliminar o problema dos rios e paisagens contaminadas pelo lixo produzido pelas fbricas. Mas esta revoluo informtica, apoiada por uma indstria silenciosa e limpa impulsionada por chips de silcio, tem seu lado obscuro. Fora da vista e da repercusso pblica, longe do opulento Ocidente, esto os lixes para centenas de milhes de computadores, televisores, telefones celulares, equipamentos estereofnicos, refrigeradores e outros aparelhos eletrnicos descartados com uma velocidade cada vez maior. O usurio mdio de computadores nos Estados Unidos atualmente substitui seus equipamentos a cada 18 a 24 meses. O lixo eletrnico constitui o problema de coleta de resduos de maior crescimento no mundo. Desde os rinces industriais da China continental s regies da ndia e do Paquisto em rpido processo de industrializao, uma ampla gama de aparelhos est sendo recebida e reciclada em condies que colocam em perigo a sade dos trabalhadores, suas comunidades e o meio ambiente. A maior parte dos componentes destes aparelhos recuperada por pobres catadores e vendida para sua reutilizao. Mas durante o processo, eles e o meio ambiente ao seu redor esto expostos aos perigos provenientes do contato com metais pesados como mercrio, chumbo, berlio, cdmio e bromato que deixam resduos letais no corpo, solo e cursos de gua. Trata-se de um tipo de reciclagem que no exatamente o que os consumidores tm em mente quando obedientemente depositam seus computadores no lixo local. Os especialistas industriais dizem que entre 50% e 80% do lixo eletrnico coletado para reciclagem acaba em barcos que se dirigem aos lixes de lixo eletrnico da sia, onde seus componentes txicos vo parar em correntes sangneas e cursos de gua. Os governos e as companhias eletrnicas conhecem h muito tempo os perigosos efeitos desta reciclagem, como j assinalava em 1989 a redao da Conveno da Basilia, um tratado internacional que se ocupa do comrcio mundial de resduos txicos. Em 1994, este tratado foi reforado para proibir a exportao de todo lixo txico dos pases ricos para as naes pobres, inclusive com o propsito de recicl-los. O nico pas desenvolvido que se recusou a ratificar a Conveno da Basilia foram os Estados Unidos. Agora, como no caso de muitos acordos globais, o restante do mundo deixou de esperar que Washington conduza o processo para reduzir os perigos derivados do lixo eletrnico e tomou a iniciativa em suas mos. Por exemplo, a Unio Europia j colocou em vigor a Conveno da Basilia e probe em todos os casos a exportao de lixo perigoso para os pases em desenvolvimento. E mais importante ainda, a UE prepara uma srie de regras que incluem a exigncia de as indstrias eletrnicas que venderem aos 25 integrantes do bloco assumam a responsabilidade por todo o ciclo de vida de seus produtos. Por outro lado, alguns especialistas inovadores esto propondo que tanto os fabricantes quanto os consumidores pensam em seus computadores e outros aparelhos eletrnicos no tanto como produtos para serem vendidos e comprados, mas como servios a serem utilizados durante tempo mais prolongado do que os atuais. Mas o que aconteceria se comprssemos dos fabricantes caixas bsicas contendo os componentes centrais e que, por sua vez, os produtores, como parte de um acordo de servio a longo prazo, garantissem a manuteno regular da mquina e instalassem nela dispositivos mais modernos quando estes estiverem disponveis? A expectativa de vida dos computadores se estenderia, ento, para cinco anos ou mais. Para adotar tal enfoque seria necessrio adiar indefinidamente a estratgia de sobrevivncia dos fabricantes de planejar a obsolescncia a curto prazo de seus produtos e de condicionar a preferncia dos consumidores por incessantes novidades em seus equipamentos eletrnicos. * O autor diretor do Mainstream Media Project, com sede nos Estados Unidos, apresentador do programa de rdio A world of possibilities. Direitos reservados IPS.