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Assunto: O lado B da tecnologia
País: Brasil
Fonte: http://revistagalileu.globo.com/Galileu/0,6993,ECT1023727-1939-2,00.html
Data: 7/2010
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
Curiosidade (texto):
AUTORA: Camila Artoni Duas dcadas atrs, tambm, o lixo dos pases desenvolvidos era um problema com que apenas eles tinham de lidar. Agora, a questo global. "Havia uma defasagem para as novidades chegarem aqui", explica o economista Sabetai Calderoni, autor de "Os Bilhes Perdidos no Lixo". "Hoje os lanamentos so simultneos e existe uma febre de substituir os equipamentos assim que chega algo novo ao mercado. O que vemos uma obsolescncia programada, no casual." A cada dois anos e meio um chip dobra de capacidade e o anterior sai de cena. Somente no Brasil so produzidas, por ano, 3 mil toneladas de celulares. Para onde vai isso tudo? "Depende da poltica de cada municpio", explica Eduardo Castagnari, presidente da Abrelpe (Associao Brasileira de Empresas de Limpeza Pblica e Resduos Especiais), "mas na maioria dos casos o destino equivocado". "Supe-se que no Brasil a maior parte dos resduos eletrnicos tenha um fim semelhante aos resduos urbanos, ou seja, os aterros sanitrios. E essa uma uma hiptese levemente otimista", diz Sebastio Roberto Soares, chefe do departamento de engenharia sanitria e ambiental da UFSC. A suposio pessimista que os eletrnicos vo parar em lixes. Aqui, o problema dos resduos slidos reside no tratamento e disposio final, e no na limpeza pblica, que j atende a maior parcela da populao urbana. "No caso dos eletroeletrnicos, h uma deficincia adicional pelas oportunidades de reciclagem que ainda so desperdiadas", aponta Digenes Del Bel, presidente da Abetre (Associao Brasileira de Empresas de Tratamento de Resduos). Uma exceo o municpio de Curitiba (PR), que possui um sistema de coleta para resduos perigosos domsticos com destinao para aterro industrial. Acontece l fora Sua Dois sistemas de retorno ao fabricante so financiados por uma taxa prvia de reciclagem, um para aparelhos eltricos (de secadores de cabelo a geladeiras) e outro para eletrnicos (computadores, celulares e afins). Os fabricantes e importadores so responsveis por seus produtos at o fim de sua vida til e devem garantir um processo de reciclagem limpo e eficiente. Somente 3% do e-lixo vai para aterros, que so sujeitos a controles rgidos. ndia A maior parte do lixo vem dos fabricantes, que descartam chips, placas-me e perifricos defeituosos. No h maquinrio ou equipamento de proteo adequados para a extrao de materiais na reciclagem. O trabalho feito manualmente e sem luvas, com o auxlio apenas de martelos e chaves de fenda. Crianas e mulheres so geralmente envolvidas nessas operaes. Aquilo que no tem valor para reuso ou revenda queimado a cu aberto ou depositado em aterros. China O sistema de reciclagem catico. A coleta de lixo parcialmente organizada, mas no se presta exclusivamente a esse fim e cobre todo tipo de resduo. Os coletores que pagam ao consumidor por seus equipamentos usados, mesmo sem funcionar. A importao de lixo ilegal, mas amplamente praticada, com despejos vindos principalmente dos EUA, da Coria e do Japo. Depois do desmantelamento, o e-lixo mandado para refinarias de metais no sudeste do pas. frica do Sul Devido a regulamentaes severas para o comrcio de metais preciosos no pas, difcil encontrar refinariais que aceitem processar material sem as especificaes exigidas. No h leis que determinem a responsabilidade ps-consumo ao fabricante nem ao consumidor. Muitos distribuidores trocam material velho por novo na hora da venda, mas a maior parte vai para aterros. comum que mquinas obsoletas sejam descartadas junto com resduos slidos comuns. Foras-da-lei Conscientizar o setor e os consumidores importante, mas sem leis pouca coisa muda. Foi somente com uma resoluo do Conselho Nacional do Meio Ambiente que fabricantes, importadores e comerciantes de pilhas e baterias passaram a tomar conta do material txico que vendem, com multa pesada para os que fogem da norma. Nem sempre a existncia de uma lei reguladora resolve a questo. Apesar da Conveno da Basilia, acordo que limita os resduos perigosos s fronteiras do pas que os produz, a exportao de lixo eletrnico prtica corrente. Um computador inteiro no pode ser considerado resduo, por isso consegue furar o controle. o caso da China, que virou depsito da sucata txica que vem dos Estados Unidos, do Japo e da Europa. Com exceo dos EUA, todos esses pases so signatrios do tratado. Em um pas assolado pela fome, a atividade tornou-se um grande mercado. As casas chinesas so o destino dos continers, onde vo para o desmantelamento manual. Em geral so as mes e as crianas que fazem a desmonta, sem proteo. O que tem valor comercial, como os metais preciosos usados na soldagem, vendido. O que no tem acaba na beira de um rio, onde queimado. Os qumicos persistentes lanados ao ar, no solo e na gua so extremamente txicos. Quando alojados no corpo das mulheres, s tm duas sadas: pelo leite ou pela placenta. At as geraes futuras j esto em risco.