Curiosidades

  • Patrocinado por:

  • Busca

    Palavra Chave:

    Data:





Curiosidades


Assunto: O que se esconde atrs do lixo
País: Brasil
Fonte: http://www.setorreciclagem.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=651
Data: 9/2011
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
URL: http://www.setorreciclagem.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=651
Curiosidade (texto):
A no reciclagem de materiais apressa o fim da vida til de aterros; impe pesados custos de coleta e destinao dos resduos s municipalidades; e deixa de gerar trabalho e renda principalmente para setores carentes, na coleta seletiva, separao e reciclagem do lixo por Washington Novaes muito raro que se passe um dia sem que esteja na comunicao alguma notcia sobre os dramas na rea do lixo em todo o Pas. So aterros sanitrios que se esgotam - como em So Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro, Recife e outras capitais -, so licitaes questionadas na Justia, so cidades voltas com inundaes agravadas por redes de drenagem entupidas por lixo no coletado, so reas degradadas pela deposio de entulhos de construo. Muitos dramas. H poucos dias mesmo, a Prefeitura de So Paulo teve de suspender, a pedido do Tribunal de Contas do Municpio, uma licitao para contratar uma empresa que se encarregue de reciclar entulhos da construo civil - e eles so um problema grave, pois em quase todas as cidades seu volume supera o do lixo domiciliar e comercial. Na verdade, a questo dos resduos vai assumindo propores cada vez mais preocupantes no Pas. No custa repetir dados do IBGE (2002), segundo o qual cerca de 230 mil toneladas s de lixo domiciliar e comercial so coletadas a cada dia no Pas - sem incluir a maior parte dos resduos da construo, lixo industrial, de estabelecimentos de sade, lixo perigoso e lixo rural. Dos 230 milhes de quilos dirios coletados em 5.471 dos 5.507 municpios, diz o IBGE que pouco mais de 40% chegam a aterros sanitrios, mesmo incluindo os que no atendem a todas as condies. A maior parte continua sendo despejada em lixes a cu aberto. E os ndices de reciclagem em unidades mantidas pelo poder pblico insignificante. Segundo o Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), a situao s no mais dramtica porque as centenas de milhares de catadores de lixo no Pas respondem pela quase totalidade dos 95% de latas de alumnio encaminhadas para a reciclagem, assim como recolhem 33% do papel descartado, 46% dos vidros e 16,5% do plstico. Estudo feito na cidade de So Carlos mostrou que, sem os catadores, mais 39% do lixo iria para o aterro. A no reutilizao ou reciclagem de materiais gera muitos problemas: apressa o fim da vida til de aterros; impe pesados custos de coleta e destinao dos resduos s municipalidades; e deixa de gerar trabalho e renda principalmente para setores carentes, na coleta seletiva, separao e reciclagem do lixo. Uma demonstrao numrica da gravidade dessas questes est num trabalho h pouco publicado pelo Waste Management Research (http://sagepub.com), sobre pesquisa desenvolvida na Universidade Estadual Paulista Jlio de Mesquita Filho, em Sorocaba, pelo professor Sandro Donnini Mancini e por alunos do curso de Engenharia Ambiental. Ele mostra que nada menos de 91% do lixo depositado no aterro de Indaiatuba (135 toneladas dirias produzidas por 175 mil habitantes) poderia ser reutilizado ou reciclado. Pode-se, a partir da, calcular o gasto improdutivo do poder pblico, financiado pela sociedade. Na mdia, cada tonelada de lixo pode custar at R$ 100 para ser coletada e ter destinao adequada em aterros, nas cidades mdias e grandes. Se esses nmeros forem vlidos para o local da pesquisa, 135 toneladas dirias significaro um gasto de R$ 13.500 por dia ou R$ 4,05 milhes em 300 dias anuais. E 91% disso, passvel de reutilizao ou reciclagem, se traduz em R$ 3,68 milhes. A pesquisa mostra ainda que os restos de comida so 40% do lixo (54 mil quilos), que se somam a quase 14% de restos de poda de jardins e canteiros e poderiam, juntos, destinar-se compostagem e resultar em fertilizantes. Os 72,5 mil quilos dirios desse lixo orgnico exigem 250 m para serem depositados no aterro, e representam 21,3% do volume total (no do peso). Papel e plsticos so outros itens que representam maior volume. S o lixo de banheiro chega a 3,6% do peso e 5,1% do volume e precisa de 60 m dirios para ser depositado. O alumnio, que vale muito para os catadores, significa apenas 0,5% do peso e 0,9% do volume. Tambm o vidro, valorizado, soma 1,9% do peso e 1% do volume. E, curiosamente, sapatos, muito descartados em reas de baixa renda, significam 1,5% da massa e 1,1% do volume. J as baterias, lixo perigoso (que deveria ter outra destinao), chegam a 100 quilos por dia. Se, para efeito de clculo, se transpuserem os nmeros para o plano nacional, vai-se ver que boa parte dos recursos gastos a cada dia com a coleta e destinao do lixo poderia ser destinada a outras reas. Duzentos e trinta mil toneladas dirias coletadas e destinadas, se pagas mdia de R$ 100 por tonelada, significariam R$ 23 milhes dirios. Mas a mdia pode ser inferior, por causa de preos em cidades menores, distncias de transporte mais curtas. O custo da destinao tambm pode ser menor, j que apenas 40% do lixo vai para aterros. Mesmo, entretanto, presumindo um custo mdio correspondente a 70% do que pago nacionalmente para a coleta (que representa 80% do custo total), vai-se ter R$ 12,8 milhes dirios ou R$ 3,86 bilhes para 300 dias do ano. E a um custo de R$ 15 por tonelada para a destinao em aterros, 52 mil toneladas/dia custaro R$ 780 mil, ou R$ 234 milhes no ano. Um total final prximo de R$ 4,1 bilhes anuais. uma soma que deveria levar a sociedade e seus governantes a meditar mais sobre as polticas do lixo. J se disse aqui que no se conseguir avanar significativamente, se uma poltica nacional de resduos no estabelecer que os geradores de lixo, de qualquer espcie (domiciliar, comercial, industrial, resduos de construo, embalagens, etc.), no respondam pelos seus custos, para que se possam implantar programas eficientes de coleta seletiva, reutilizao e reciclagem. E para que cada gerador responda pelo custos proporcionalmente sua responsabilidade. Se no for assim, continuaremos como agora: com os produtores de embalagem e os geradores das maiores parcelas do lixo transferindo para toda a sociedade os custos que a eles deveriam caber. No justo. Nem eficaz. Washington Novaes jornalista E-mail: wlrnovaes@uol.com.br fonte: www.estadao.com.br