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Curiosidades


Assunto: Aterros de pequeno porte so alternativa vivel para descarte de cerca de 40% do lixo no pas
País: Brasil
Fonte: LOPAC
Data: 4/2013
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
URL: http://lopac.com.br/site/noticias.php?tla=2&cod=3
Curiosidade (texto):
Baixo custo de instalao, com danos ambientais dentro dos limites aceitveis. Essas so as razes pelas quais os aterros sanitrios de pequeno porte, com capacidade de receber at 10 toneladas de lixo por dia, tornaram-se opes para resolver o problema causado pela destinao incorreta de resduos slidos nas cidades com menos de 30 mil habitantes, de acordo com uma pesquisa desenvolvida para uma tese de doutorado pela USP (Universidade de So Paulo). Com investimentos significativamente mais baratos na casa dos R$ 5 milhes, contra R$ 52 milhes de um aterro sanitrio com capacidade de receber 100 toneladas de lixo por dia, esses aterros possuem capacidade reduzida, precisam de menos burocracia para terem a construo liberada e, segundo a pesquisa, no alteram o meio ambiente. Eles so uma opo vivel, tanto financeiramente quanto ecologicamente, para que cidades de pequeno porte encarem de frente os problemas causados pelo lixo, avalia o pesquisador e engenheiro civil Cristiano Kenji Iwai, da Faculdade de Sade Pblica da USP, autor da pesquisa. Ele lembra ainda que essas cidades, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Georgrafia e Estatstica), concentram uma populao estimada em 60 milhes de pessoas, que enviam seus resduos, na grande maioria dos casos, para os lixes, que so a opo menos ecologicamente correta na hora de se livrar do lixo. Basta dizer que 2.906 mil lixes brasileiros, 98% localizam-se em cidades com essas caractersticas. Por ano, segundo a Abrete (Associao Brasileira de Empresas de Tratamento de Resduos), o total de lixo enviado a locais inadequados no Brasil chega a 2,8 milhes de toneladas, algo na casa dos 42,3% do total de resduos produzidos no pas. Lixo x aterro Como regra geral, os municpios optam pelos lixes por no terem condies de construir os aterros sanitrios. No podemos dizer que as pequenas cidades sejam vils. Mas a situao do destino do lixo, nas cidades pequenas, um problema grave, avalia a pesquisadora Livia Reis Campos, que defendeu uma dissertao de mestrado sobre o assunto na Universidade Federal da Bahia. Entre as cidades com menos de 30 mil habitantes, algo em torno de 68,5% ou 2.785 cidades no do destinao correta ao lixo que produzem, depositando os resduos em lixes e aterros sem estrutura. O primeiro, e talvez mais poderoso, argumento a favor dos aterros sanitrios de pequeno porte o econmico. Segundo dados de um estudo elaborado pela FGV (Fundao Getlio Vargas), a construo de um aterro de grande porte, com capacidade para receber 2 mil toneladas/dia de lixo e ou uma populao de 2,5 milhes de pessoas no sai por menos de R$ 525,8 milhes. Um de mdio porte e populao de 1 milho fica na casa de R$ 236,5 milhes, com capacidade para 800 toneladas/dia. Municpios com populao de 200 mil habitantes tm a opo de investir R$ 52,4 milhes para uma capacidade de 100 toneladas/dia. Qualquer dessas opes, para uma cidade com at 30 mil habitantes, chega a ser proibitiva. Em So Paulo, Estado mais rico da federao, um municpio com essas caractersticas raramente tem Oramento superior a R$ 85 milhes por ano. Em cidades do Norte e Nordeste, por sua vez, esse montante poucas vezes ultrapassa R$ 25 milhes. Investimentos desse porte, portanto, no podem ser feitos, avalia Alessandro Firmino, advogado com especializao em Gesto de Cidades. Preo Dessa forma, os aterros sanitrios de menor porte tornam-se opes mais palatveis ao bolso das prefeituras de cidades pequenas. O presidente da Confederao Nacional dos Municpios), Paulo Ziulkoski, avalia que a questo financeira , de longe, o maior problema que impede a erradicao dos lixes. Se no tiver dinheiro dos Estados e da Unio, nem daqui a 50 anos os lixes sero eliminados. Municpios precisam de dinheiro para isso. No h caixa para construir aterros. Ziulkoski explica, para a grande maioria dos municpios, pensar em aterros sanitrios uma impossibilidade. Se no houver planejamento conjunto, essas metas sero apenas uma miragem, diz o presidente da CNM. Segundo Lvia, alm desses aterros, h ainda uma outra opo, ainda mais em conta os aterros sanitrios simplificados. Ela defende, em sua tese de mestrado, que esses empreendimentos que custam na casa de R$ 500 mil e R$ 1 milho, em valores corrigidos a pesquisa de 2008 so construdos em terrenos pblicos, o que diminui o valor de investimento, e poderiam ser aplicados em 85% dos municpios baianos, todos abaixo dos 30 mil habitantes. O aterro simplificado consiste em um tipo de tecnologia de destino final de resduos slidos que requer um custo mais baixo para a sua construo e manuteno, alm de exigir a incorporao de mo de obra menos qualificada e sua gesto ser mais simplificada, se adequando mais facilmente s restries dos municpios pequenos, avalia. Ambiente Segundo Kenji Iwai, a questo ambiental, vista por muitos como outro entrave construo de aterros sanitrios, no um problema significativo. Para sua tese de doutorado, ele desenvolveu trabalho de campo em trs aterros sanitrios do interior de So Paulo e constatou que em nenhum deles houve contaminao do solo ou da gua dos lenis freticos. As cidades de Jaci, Angatuba e Luiz Antnio foram os alvos da pesquisa. Os resultados encontrados foram comparados com os limites de risco sade humana, que um padro para o Estado de So Paulo em geral, no gerenciamento de reas contaminadas. Em todos eles, as normas de segurana recomendadas foram seguidas e no houve mudana significativa na estrutura do solo. Apenas em um dos locais havia valores de brio superiores aos recomendados, mas era uma situao pontual, que no se traduz em risco para a populao ou para o meio ambiente, informou. Iwai explica ainda que os aterros de resduos slidos em pequenas cidades foram sistematizados em 1997 pela Cetesb como opo que pequenos municpios do Estado de So Paulo poderiam adotar. Como os resultados foram positivos hoje, apenas 7,6% do lixo estadual destinado para lixes a experincia serviu de modelo e foi incentivada pelo governo federal. Todo esse processo me incentivou a pesquisar melhor a concepo e qualidade dos aterros sanitrios de pequeno porte,conta Iwai. Apesar da viabilidade do mtodo, o engenheiro deixa claro que positivo aceit-lo como uma condio transitria. Trata-se de uma evoluo gradual que isso [os aterros] pode fornecer, mas no se espera depender dessa tecnologia eternamente, como uma soluo nica. necessrio tambm trabalhar as pessoas culturalmente para reduo da quantidade de resduos destinada aos aterros sanitrios. Fonte: UOL