• Patrocinado por:

  • Busca

    Palavra Chave:

    Data:





Curiosidades


Assunto: LOGSTICA REVERSA E A DISTRIBUIO REVERSA UM NOVO DIFERENCIAL COMPETITIVO
País: Brasil
Fonte: http://www.univesp.ensinosuperior.sp.gov.br/preunivesp/2445/um-novo-cen-rio-para-a-log-stica-reversa-de-produtos-usados-no-brasil.html
Data: 7/2013
Enviado por: Rodrigo Imbelloni
URL: http://www.univesp.ensinosuperior.sp.gov.br/preunivesp/2445/um-novo-cen-rio-para-a-log-stica-reversa-de-produtos-usados-no-brasil.html
Curiosidade (texto):
Uma das perguntas mais frequentes que tenho escutado ultimamente por que o tema logstica reversa tem tido tanta visibilidade. Isso tem acontecido no Brasil, e em todo mundo, devido a enorme quantidade e variedade de produtos, com ciclos de vida cada vez mais curtos, que vo para o mercado visando satisfazer aos mais diversos segmentos. Esta profuso de mercadorias multiplica a necessidade de retorno tanto dos itens ainda no consumidos como daqueles j utilizados, e que algumas vezes ainda apresentam condies de uso, porm esto defasados mercadologicamente. A logstica reversa tem como foco de atuao o equacionamento do retorno de produtos (consumidos ou no), dando a destinao adequada a eles, de forma a recapturar valor econmico. O processo realizado de forma a obedecer determinao legal, na prestao de servios aos clientes, na cadeia de suprimentos e aos clientes finais atravs da assistncia tcnica. Neste sentido, o Conselho de Logstica Reversa do Brasil CLRB tem como objetivo divulgar os conceitos e prticas empresariais em logstica reversa, melhorar a capacitao profissional nesta rea e auxiliar empresas das cadeias diretas e reversas, realizando diagnsticos e consultoria especializada. No caso do retorno de alguns produtos usados a chamada logstica reversa de ps-consumo , destacam-se as cadeias reversas cujo retorno acontece em condies econmicas naturais, pela lucratividade da utilizao de componentes ou de suas matrias-primas, obedecendo a objetivos econmicos puros. Na diversidade de cadeias reversas de retorno, distinguem-se algumas bastante organizadas e eficientes, como as de peas remanufaturadas no setor automotivo, e outras informais pouco eficientes, como as de metais em geral, movidas por rentabilidade em todas as fases. No existindo tais condies econmicas naturais, que estimulem a cadeia reversa, nem uma destinao adequada dos produtos usados, as quantidades crescentes dos produtos descartados do origem poluio por contaminao, produzida por materiais nocivos ao meio ambiente, presentes nesses produtos; ou poluio por excesso, com consequncias negativas para a vida urbana. Faz-se necessria, dessa forma, a interveno do que denominamos fator modificador de mercado, de modo a viabilizar a cadeia reversa. A legislao regulatria de retorno de produtos torna obrigatria a implantao da logstica reversa, visando equacionar logisticamente o retorno destes produtos. Com um tempo de tramitao bastante longo, permite aperfeioamentos diversos, tais como a introduo de captulos destinados logstica reversa de ps-consumo e certamente, ainda com algumas falhas, a Poltica Nacional de Resduos Slidos (PNRS), que foi sancionada pelo Governo Federal, sob o nmero de Lei 12.305, em 2 de agosto de 2010, e regulamentada em 23 de dezembro de 2010 pelo Decreto n. 7.404 (veja reportagem). Em linhas gerais, a PNRS segue o modelo europeu no qual a responsabilidade pelo retorno dos produtos usados, na Lei denominados resduos slidos, confiada s empresas da cadeia produtiva direta e aos consumidores finais, em um tipo de compartilhamento de responsabilidades. Surge, portanto, a necessidade das empresas destas cadeias implantarem os programas de logstica reversa para seus produtos, aps o ciclo de vida dos mesmos ser completado. importante destacar que o retorno de produtos uma tarefa complexa, exigindo tcnicas peculiares e capacitao profissional adequada. O fluxo reverso composto resumidamente por etapas de entrada do produto na cadeia reversa atravs de sua coleta; armazenagem de consolidao, com ou sem processamento para garantir condies de transporte; seleo e destinao dos produtos, para o processamento industrial de reaproveitamento; remanufatura ou reciclagem dos materiais; e, evidentemente, a redistribuio ao mercado consumidor. Estes passos constituem a logstica reversa operacional, com caractersticas especficas para cada tipo de produto (peso, densidade, geometria, embalagem etc.), tais com a localizao de fontes e origem dos mesmos, transporte adequado e uso de sistemas de informao adequados a cada caso, entre outros aspectos. O retorno eficiente dos produtos exigir um mercado para os produtos ou materiais reaproveitados, investimento em instalaes de reaproveitamento, tecnologias adequadas, garantia de remunerao de todos os elos da cadeia reversa e a implantao de uma rede logstica reversa com instalaes em locais adequados nas diversas fases do retorno, bem como as demais decises logsticas de transporte e de informaes. A Europa tem sido fonte de inspirao para os principais modelos utilizados pelo resto do mundo e, no Brasil, por fora de leis anteriores, existem diversos modelos de programas de logstica reversa que podero servir de benchmarking (busca das melhores prticas para melhoria do desempenho), salientando-se sempre a necessidade de adaptao pelas caractersticas prprias de cada tipo de produto e, sem dvida, pela existncia de sistemas de coleta informal (catadores). Em todos os modelos conhecidos de retorno de produtos sob condies catalisadas por legislaes, o custo da logstica reversa garantido pela cadeia direta, atravs de diferentes sistemas de participao do consumidor final. Alguns modelos preconizam o pagamento de uma taxa no momento da compra do produto; outros usam o chamado selo verde, que subsidiado pela cadeia produtiva em funo de sua produo; e outros, ainda, usam sistemas mistos. Admitindo-se que haja participao representativa das empresas do setor, no haveria desbalanceamento na concorrncia de preos. O consumidor final arcar indiretamente com os custos, porm os benefcios para a sociedade sero muitos. Pelo exposto, pode-se perceber que a execuo e eficincia dos programas de logstica reversa previstos na PNRS devero levar em conta as condies expostas e que suas implantaes sero gradativas. Da parte das associaes de produtos, envolvidas ou no pela legislao atual, espera-se a mobilizao e a utilizao da inteligncia existente no mercado, no sentido de se preparar para este novo cenrio que se abre no Brasil. A inteligncia de mercado em logstica reversa, oferecida pelo CLRB e outras empresas e entidades, deve potencializar redes logsticas reversas atravs do que denominamos sinergias transversais, ou seja, a cooperao entre os diversos setores envolvidos. Dessa forma, ser possvel a ampliao do sistema setorial para sistemas de redes reversas, somando as cadeias reversas individuais, otimizando custos e escala de atividades. O plano setorial solicitado pelos Comits Interministeriais, criados pela PNRS para este fim, exigir das empresas, industriais e comerciais, o entendimento e o equacionamento de todos os aspectos analisados, que envolvem as diversas etapas da logstica reversa. Isso dever resultar no levantamento de importantes dados para a segmentao logstica de seus produtos, na criao de grupos de trabalho, na escolha e adaptao de modelos, do plano de implantao, entre outros. Oportunidades medida que os programas forem implantados, crescero as quantidades de produtos usados a serem reaproveitados e, como consequncia, teremos ainda maiores oportunidades de negcios em logstica reversa: operadores logsticos, recicladores, transportadores, empresas especializadas na seleo e destino de produtos retornados, na gesto de resduos slidos, em aterros sanitrios. Alm disso, novas tecnologias para o tratamento de maior quantidade de produtos sero necessrias. Simultaneamente, teremos ainda um crescimento de oportunidades de carreira e de consultorias nestas reas. Observa-se atualmente um movimento intenso de grupos empresariais verticalizando ou terceirizando suas operaes, empresas abrindo novas frentes de trabalho para este novo cenrio e grupos de investimento entrando no mercado. Com certeza este novo cenrio da logstica reversa de ps-consumo no Brasil aumentar de forma aprecivel a economia movimentada. *Paulo Roberto Leite, engenheiro industrial, professor e pesquisador na Universidade Presbiteriana Mackenzie, onde idealizou e coordenou o curso de ps-graduao em Logstica Empresarial. Autor do livro Logstica Reversa Meio Ambiente e Competitividade (2003). presidente do Conselho de Logstica Reversa do Brasil.